A HORA CERTA PARA COMEÇAR

 

“A esperança é a última que morre”. Diz o ditado popular e assim espero.

A esperança é de que as próximas gerações tenham oportunidade de crescer mais preparadas para a vida, pois o novo mundo vai exigir desses “carinhas” que estão nascendo agora, não somente competência para trabalhar, mas principalmente, mais preparação para guiar seu próprio destino.

“Cá entre nós”, falta muito disso no mundo.

TEMPOS MODERNOS E SUAS IMPLICAÇÕES

Educação empreendedora antes que seja tarde

Chegamos a tempos modernos, bastante modernos.

Digamos que atualmente vivemos muito mais do que os clichês corporativistas descrevem como “globalização”, “mercado competitivo” e outras expressões comuns na polêmica forma de descrever o que se passa no mundo.

De fato, pela primeira vez estamos tendo a verdadeira chance de descobrir.

E é muita coisa.

O conhecimento vem se tornando cada vez mais fonte de poder e pode transformar vidas em muitos aspectos.

Infelizmente muitas crenças equivocadas guiaram o destino das pessoas nas últimas décadas afetando suas vidas pessoal, profissional e financeira.

Não havia esse “mar de informação” gratuita e acessível como temos hoje e a comunicação entre as pessoas era muito mais cara e mais restrita também.

Não é pequeno o volume de pessoas que conheci que são unânimes na percepção de que chegamos a um mundo que não é bem o que havia sido “prometido”.

Ou seja, a geração passada aprendeu muito mais a esperar do que a realizar.

Cultivou-se no senso comum, a esperança de um mundo melhor.

Em linhas gerais podemos dizer que houve muito menos empreendedores no passado do que no presente.

Isso se deve à forma como se concebeu o desenvolvimento naquela época.

EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA PARA QUÊ?

 

O propósito desta reflexão é fomentar uma transgressão positiva nas crenças que direcionam o pensamento dos responsáveis pelo futuro das crianças e jovens de hoje, principalmente dos pais, geralmente os primeiros cocriadores das crenças de seus sucessores.

Um assunto que é muito relevante e ganhou a atenção de especialistas e interessados em todo o mundo é a chamada educação financeira.

Motivados por um profundo desejo de mudança, muita gente vem buscando respostas sobre como ter uma vida financeira mais equilibrada e mais tranquila.

Há “vítimas” de todo tipo nesse assunto.

“Atolada” em dívidas, a população brasileira e também boa parte da população americana se complica no que o famoso escritor Robert Kiyosaki, autor do livro Pai Rico Pai Pobre chama de “corrida dos ratos”.

Os telejornais têm alertado bastante para este “mal” que acomete uma massa de cidadãos das Américas.

Por incrível que pareça, o consumo desenfreado e sem planejamento começou a afetar até mesmo as classes mais altas da sociedade.

Isso foi matéria de uma meia dúzia de revistas brasileiras em 2011.

Kiyosaki criou o termo “corrida dos ratos” para ilustrar a realidade de quem entra no ciclo vicioso do trabalho para a sobrevivência e para o infinito crediário, aplicando o pouco dinheiro que sobra no final do mês em mais dívidas e financiamentos.

Corrida dos ratos por falta de educação empreendedora

Ele chegou a criar um jogo educativo chamado Cashflow, para que as crianças aprendam conceitos de educação financeira, dos mais básicos aos mais avançados, de forma simples e divertida.

Vence quem conseguir sair de uma partida acumulando ativos, entendendo que o objetivo da independência financeira é a liberdade.

A vida pautada na luta contra os juros e prejuízos é a realidade não somente da nação brasileira, mas dos cidadãos de vários países que colocam a “maçã à frente de Eva”, mais conhecido como crédito fácil.

Literalmente, o que acontece é que as pessoas saem de uma dívida e já entram em outra.

O apartamento já não cabe mais ninguém.

As contas chegando, a mensalidade aumentando, os impostos “dilacerando” e as crianças chorando.

Haja coração! Está na hora de mudar isso, não é gente?

O simples fato de não aprendermos na escola os conceitos de ativo e passivo em economia já é um grande complicador.

Então “bater nesta tecla” é bastante necessário.

Educação financeira no mundo moderno que é dotado de muitas variáveis que demandam competências integradas no mesmo indivíduo e as tendências já sinalizam que a formação das pessoas certamente vai tomar um “novo rumo”.

Progressivamente, os conhecimentos estão se conectando para gerar novas soluções e por isso a formação das pessoas passou a ser tão mais intensa.

Já nos dias de hoje, os bons profissionais sabem que não basta mais focar somente em sua especialidade; outras competências estão sendo exigidas, tais como comunicação, relações interpessoais, competências comportamentais ligadas à coletividade e a famosa gestão de projetos.

Sem querer bancar o “Nostradamus” digo que, gestão de projetos, gestão da inovação e educação financeira, no futuro serão tão populares quanto à cerveja e o futebol no Brasil.

COMO BUSCAR INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA

Educação empreendedora favorece a independência financeira

Falamos em qualidade o tempo todo e estamos a alguns anos gerenciando a qualidade de nossos produtos e serviços e dos produtos e serviços que compramos.

Sabemos também, que o comportamento empreendedor com uma boa dose de educação é um forte candidato a “oitava maravilha do mundo”, porque tende a trazer mais independência para as pessoas.

Mesmo assim, os jovens ainda continuam vivendo o paradigma do sonhado emprego e não são minimamente estimulados ao caminho alternativo do empreendedorismo.

Desta forma surgem perguntas importantes na base da formação:

1) Quando deve começar a preparação das pessoas para buscar a independência financeira e as competências tão requisitadas pelo novo mundo?

2) Criaremos pensadores ou continuaremos formando “bancos de dados” com todas as respostas para a prova do vestibular?

3) Será que a infância é um período ideal para iniciar os estímulos de crenças e conhecimentos de forma convergente?

Perguntas como estas podem mudar a história da nova geração, criar a independência comportamental e financeira, além de estimular o desenvolvimento do que fará toda a diferença no futuro.

A criança é um liderado natural.

Aprende pelo exemplo que lhe é dado e pela observação.

Até que a adolescência não se aproxime, seus líderes são principalmente seus pais, irmãos, tios e pessoas com quem convive, além dos personagens do desenho animado e dos filmes em 3D do cinema.

Por isso, nada mal para os que percebem que, o que tanto tentamos ensinar à sociedade adulta de hoje pode e deve ser ensinado aos futuros cidadãos do novo mundo a partir da infância.

Algumas competências tão requisitadas pelo mundo moderno podem surgir bem mais cedo:

  • Combate ao desperdício – é só querer. Todos os especialistas em psicologia infantil têm por unanimidade a visão de que a criança precisa entender que não terá tudo o que quer. Se você quer formar um delinquente, dê à criança tudo o que ela quiser. Aquele que é criado com medida dá valor ao que tem.
  • As pessoas precisam muito mais de autoconfiança do que de coisas; infelizmente muitos aprenderam que, coisas nos farão autoconfiantes. Como dizia um dos mestres que tive, “depois de grande, o que não se resolve na vida, se resolve no consumo”. A origem do fantasma do consumismo moderno, do endividamento e do descontrole está “lá na raiz”, ou seja, na infância.

Os que viverão no planeta nos próximos anos precisam ter uma conduta mais do que sustentável em tudo.

Dê à criança o que ela precisa para construir sua autoconfiança: incentivo à descoberta, aplausos nos acertos e correções nos erros.

O tripé da sustentabilidade só será consolidado se a nova geração combater o desperdício.

O tripé da sustentabilidade depende de educação empreendedora

O maior inimigo do mundo sustentável é o consumo irracional de qualquer tipo de recurso.

  • Empreendedorismoempreender é agir. A criança e o jovem precisam entender o que os profissionais de coaching tanto trabalham com os adultos atualmente; a básica noção de que a ação leva à realização. A hora certa de construir o perfil empreendedor é na infância. Desta forma, incentive a ação. Mostre que quem faz acontecer é realizador.
  • Gestão de Projetos – Quando a criança atinge a fase dos 4 a 5 anos de idade a auto-imagem se torna mais presente e definida. Incentive-os a construir. Se for fazer uma festa de aniversário mostre à criança que ela pode e deve organizar ou participar da organização de sua própria festa e que há uma ordem para que as coisas saiam bem. Isto é a básica noção de projeto e processo ensinada de forma natural, real e prática. Nada mal.
  • Investimentos– mais do que poupar é importante que “a moçada” entenda o que é investir. A figura do porquinho guardador de moedas cria uma modelagem mental de poupança, mas não de investimento. Melhor do que juntar dinheiro é fazer com que o dinheiro que está dentro do porquinho comece a se multiplicar. Que tal começar trocando o porquinho por uma conta poupança? É mais que um ótimo começo. Não deixe de mostrar os resultados mensais para que fique claro que o montante que estava no porquinho está crescendo.
  • Responsabilidade social – a coisa mais triste que pode acontecer, sobretudo no mundo moderno é a confusão entre responsabilidade social e caridade por caridade ou o famoso marketing de caridade. A verdadeira responsabilidade social é quando se doa algo que faz com que os necessitados possam melhorar suas condições de vida com o próprio esforço. Ou seja, quando a doação ajuda a construir a sustentabilidade de quem a recebeu. A única exceção se aplica quando a causa é vinculada a pessoas com necessidades especiais, sem possibilidade de independência.

Do contrário precisamos quebrar paradigmas e entender que como o próprio nome diz, responsabilidade social é ser responsável.

Incentivando a construção da autossustentabilidade estaremos tendo atitudes socialmente responsáveis.

A noção de caridade por caridade vem distorcendo a verdadeira essência da responsabilidade social em nome de um “marketing espertinho” que não cola mais.

Educação empreendedora é mostrar às futuras gerações que o mais importante é doar conhecimento e oportunidades, para que o “coleguinha pobre” consiga “o seu próprio porquinho”.

  • Aprendizagem – aprender a aprender é a grande competência do século XXI.

A estrutura da aprendizagem é o maior ativo do mundo moderno.

COMPETÊNCIAS DA APRENDIZAGEM

Educação empreendedora estimula a verdadeira aprendizagem

Abaixo algumas das competências, consideradas essenciais para fomentar essa “aprendizagem da aprendizagem”:

Observação: quem observa mais, aprende mais.

Curiosidade: não há nada mais rico para a aprendizagem do que a capacidade de pesquisar e descobrir fontes de informação.

Disciplina: disciplina é seguir adiante sem perder de vista o objetivo.

Persistência: somente os que persistem têm mais chances de vencer.

Interdisciplinaridade: valor é algo que se cria combinando o que há de bom em objetos e propostas diferentes. O mundo de hoje é interdisciplinar, convergente.

Talento: sem talento não há motivação para realizar. Sem motivação não há desempenho, Sem desempenho não há resultado. O Brasil hoje sofre muito pela ausência de talento.

Estas são apenas algumas das competências que transformarão o futuro das crianças e jovens.

Este futuro já começou e virá cheio de surpresas.

A nova geração já tem uma percepção diferenciada e está trazendo novos valores para o mundo.

Seja como for, certas competências são quase atemporais e serão muito úteis para os futuros habitantes do planeta, se forem estimuladas agora.

Essa nova geração precisa pensar, ser 100% pensadora e tende a não ter tantas “segundas chances” como foi com as gerações passadas.

O exemplo de hoje certamente moldará o adulto de amanhã.

 

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